Resenhas


Stolen (Raptada)


Título Original: Stolen
Escrito por: Lucy Christopher
Ano: 2012
Avaliação:
  O livro conta a história de uma garota de dezesseis anos (Gemma) e de seu repentino sequestro no aeroporto de Bangkok.
Após uma discussão com seus pais, a jovem pretendia tomar um café, e é nessa ocasião que conhece Ty, um cara mais velho que logo chamou sua atenção ao oferecer-se para pagar sua bebida e para fazer-lhe companhia. Rapidamente, Gemma se vê enfeitiçada por aquele homem de olhos azuis e pele morena, e jamais poderia imaginar que o mesmo viria a ser seu sequestrador.
Depois de drogá-la, Ty a conduz para um avião diferente daquele em que ela deveria embarcar a princípio com a família, levando-a então para o deserto australiano, completamente oposto a sua cidade natal, Londres.
No deserto, longe de qualquer civilização e sem possibilidade de fuga, a garota se vê sozinha com o inconstante e misterioso Ty, que demonstra conhecê-la muito mais do que pensara. Gemma diversas vezes tenta escapar do cativeiro, mas todas as suas tentativas são frustradas pela infinitude de areia. Aos poucos, ela percebe que Ty não pretende machucá-la, pois, na verdade, ele a ama.
Os sentimentos dela em relação a ele vão se tornando cada vez mais conflituosos e confusos, fazendo com que Gemma não tenha mais certeza de sua aversão àquela realidade.
A obra é fundamentada em um distúrbio psicológico chamado Síndrome de Estocolmo, que consiste em uma espécie de catarse entre o sequestrado com seu sequestrador. Ao invés de odiá-lo e querer vê-lo numa cadeira elétrica, a vítima acaba se sentindo confortável em relação ao seu opressor. Isso se trata essencialmente de um mecanismo de defesa. A única diferença em Stolen é que Ty, apesar de tudo, é um cara legal, facilitando essa mudança de sentimentos no caso de Gemma.
Em momento algum nós conseguimos tratá-lo como vilão. Apesar de ser uma situação agonizante, ficou claro desde o início que ele não era uma pessoa cruel ou algo assim. Certamente nos irritamos com Ty em diversas ocasiões, mas foi quase impossível não sofrer desta síndrome durante o livro.
A narração em forma de carta na primeira pessoa, em que o remetente é Gemma e o destinatário é Ty, traz um detalhamento hipnotizante dos acontecimentos. Stolen é ambientado numa realidade um tanto improvável, mas não deixa de ser um romance envolvente e emocionante.
Ficamos curiosas a respeito do desfecho por todo o tempo que quase pulamos para as últimas páginas. Infelizmente, não terminou como nós esperávamos. Não foi de todo ruim, mas não atendeu às expectativas criadas no desenvolver das ações. Achamos que a escritora poderia ter dedicado mais tempo ao final, o qual não foi surpreendente nem impactante. A história acabou cedo demais, em nossa opinião. Houve um desfalque significativo entre a riqueza de detalhes do início e meio do livro e a rapidez e imprecisão do final.
Apesar desse desapontamento, Stolen é uma literatura fácil de agradar, mesmo deixando a desejar em alguns aspectos. Ainda assim, devemos parabenizar a escritora por utilizar uma linguagem tão bem articulada. A leitura flui bem e, quando você menos espera, já acabou. O início e o desenvolvimento são muito viciantes.
No final, chegamos a duas importantes conclusões:
*Sequestros são agonizantes e enlouquecedores de fato. A questão é que muitas vítimas desenvolvem formas diferentes de lidar com a tortura psicológica. Stolen transforma algo terrível e cruel em um romance atípico e apaixonante.

*Não é o tipo de livro que nós colocamos no topo da estante, até porque é um pouco surreal e contraditório (palavra que também define as nossas opiniões), mas, dentre as demais obras do mesmo gênero, é sem dúvida surpreendente.

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