Resenhas

A Menina Que Não Sabia Ler

Título original: Florence and Giles
Escrito por: John Harding
Ano: 2010
Avaliação:
O livro conta a história de Florence: uma menina de doze anos que vive numa mansão com seu pequeno irmão Giles e que foi privada da alfabetização por seu tio, conhecido principalmente por meio de retratos. Quando seu irmão volta do internato por não ter se adaptado, recebe a visita de uma tutora particular em casa, que acaba sofrendo um acidente no lago da residência. Então, como substituta, é contratada a Srta. Taylor, uma mulher misteriosa e de passado desconhecido que representa para Florence uma ameaça contra sua relação com Giles. Assim que ela percebe as reais intenções da nova professora de seu irmão (e é a única que percebe, diga-se de passagem), maquina diversos planos para proteger a pessoa mais importante de sua vida.
Em primeiro lugar, devemos parabenizar Florence por ter aprendido quatro idiomas diferentes sozinha, enquanto nos esforçamos para conjugar o verbo tóbi  em inglês.
Mesmo analfabeta e sem instrução, ela conseguiu compreender o que diziam os livros da biblioteca recém descoberta pela mesma e entrou a fundo no fantástico mundo literário (nossa professora de literatura com certeza ficaria orgulhosa). Criança prodígio, não?
Um dos aspectos mais interessantes do livro é a maturidade da menina. Mesmo jovem e "inocente", Florence se mostra extremamente capacitada para enfrentar as mais difíceis situações. Chega a ser chocante o calculismo e a destreza com que Florence enfrenta a tutora do garoto. Ela não mede esforços nem consequências para manter a salvo aquele que ela mais ama. Isso pode ser um pouco assustador, mas trata-se, na verdade, da tentativa desesperada da jovem de zelar por sua família. 
Os livros são os maiores companheiros e ajudantes de Florence nessa jornada, além de Theo, que participa da "ação final". Ele é um rapaz adorável e, quem sabe, a pessoa por quem a menina alimenta "sentimentos românticos" (entre aspas porque reviravoltas colocarão tais sentimentos à prova).
“Naquele primeiro dia em que nevou, imaginei-me impermeabilizada contra o garoto Van Hoosier, mas cometi o mesmo erro que muitas pessoas cometiam comigo (quem imaginaria que eu tinha dois ninhos de livros? Quem imaginaria que eu francesava e shakespearizava?), ou seja, julguei-o pelas aparências. [...]”
A história é um tanto fantasmagórica. A linha que separa a ficção da realidade, a fantasia do concreto, é bastante tênue. Em alguns momentos de suspense, durante a leitura, o menor ruído causa no leitor um baita susto (baseado em fatos reais). É possível sentir o medo, a tensão, a expectativa e todos os demais sentimentos de Florence durante o livro. A narrativa é repleta de mistérios e perguntas não respondidas que ainda pairam por nossas cabeças, mas que tornam o enredo e o decorrer dos acontecimentos mais emocionantes.
Quanto ao final, uma palavrinha: MEUDEUSDOCÉU!
Nós fomos realmente surpreendidas - não necessariamente de um jeito bom. Na verdade, houve uma fusão de opiniões, um contraste de ideias. Ao mesmo tempo que genial, o desfecho foi, digamos, atordoante. Se havia ainda algum resquício de inocência nesta garota, tenha certeza de que foi para o espaço. Nós acabamos entrando na cabeça dela e, de certa forma, participamos de seu plano para deter a Srta. Taylor. 
Agora o nosso Parabéns irá para John Harding, que articulou majestosamente as palavras e nos aproximou ao máximo da excêntrica história de Florence. No geral, é um livro de fácil compreensão, em se tratando de linguagem.
As nossas considerações finais são:
* Não é um livro consensualmente adorado e conhecido, afinal, foge dos padrões da literatura de massa.
* Ao final da leitura, demora um pouco para digerirmos a história.
* É, sem dúvida, um livro inteligente e, de certa forma, perspicaz. Retrata de forma explícita a imaginação fértil de quem “devora” livros.
* Nós duas gostamos muito e recomendamos para aqueles que procuram um suspense repleto de angustiantes momentos datado no séc. XIX.

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2 comentários:

Unknown disse...

Olá Luane e Isabelle,

Eu realmente tive diferentes opiniões ao final do livro. Primeiro veio a raiva por não haver respostas concretas, o que significava que toda a teoria que criei na minha cabeça no decorrer da história não iria ser confirmada! Depois vem a dúvida se tudo aquilo aconteceu mesmo, ou se não foi tudo fruto da imaginação infantil de Florence... Mas, depois que a raiva passou, percebi toda a genialidade do autor, e como ele conduziu o suspense com maestria!
Ótima resenha!

Fiz resenha de A Menina que Não Sabia Ler, lá no blog tbm! Se quiserem visitar ficaria muito feliz!

Bjinhos,

www.estavarelendo.blogspot.com.br

Unknown disse...

Oi, Quel! A gente agradece por você ter lido. Realmente o final nos deixa confusas, porém o segundo livro (principalmente o desfecho) corrobora a esperteza e a sabedoria de Florence. Beijo!

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