A Menina Que Não Sabia Ler
Título
original: Florence and Giles
Escrito por:
John Harding
Ano: 2010
Avaliação: ★ ★ ★ ★
O livro conta
a história de Florence: uma menina de doze anos que vive numa mansão com seu
pequeno irmão Giles e que foi privada da alfabetização por seu tio, conhecido
principalmente por meio de retratos. Quando seu irmão volta do internato por
não ter se adaptado, recebe a visita de uma tutora particular em casa, que
acaba sofrendo um acidente no lago da residência. Então, como substituta, é contratada
a Srta. Taylor, uma mulher misteriosa e de passado desconhecido que representa para
Florence uma ameaça contra sua relação com Giles. Assim que ela percebe as reais intenções da nova professora de seu
irmão (e é a única que percebe, diga-se de passagem), maquina diversos planos
para proteger a pessoa mais importante de sua vida.
Em
primeiro lugar, devemos parabenizar Florence por ter aprendido quatro idiomas
diferentes sozinha, enquanto nos esforçamos para conjugar o verbo tóbi em inglês.
Mesmo analfabeta e sem instrução, ela conseguiu
compreender o que diziam os livros da biblioteca recém descoberta pela mesma e
entrou a fundo no fantástico mundo literário (nossa professora de literatura
com certeza ficaria orgulhosa). Criança prodígio, não?
Um dos aspectos mais interessantes do livro é a
maturidade da menina. Mesmo jovem e "inocente", Florence se mostra
extremamente capacitada para enfrentar as mais difíceis situações. Chega a ser
chocante o calculismo e a destreza com que Florence enfrenta a tutora do
garoto. Ela não mede esforços nem consequências para manter a salvo aquele que
ela mais ama. Isso pode ser um pouco assustador, mas trata-se, na verdade, da
tentativa desesperada da jovem de zelar por sua família.
Os livros são os maiores companheiros e ajudantes de
Florence nessa jornada, além de Theo, que participa da "ação final".
Ele é um rapaz adorável e, quem sabe, a pessoa por quem a menina alimenta
"sentimentos românticos" (entre aspas porque reviravoltas colocarão
tais sentimentos à prova).
“Naquele
primeiro dia em que nevou, imaginei-me impermeabilizada contra o garoto Van Hoosier,
mas cometi o mesmo erro que muitas pessoas cometiam comigo (quem imaginaria que
eu tinha dois ninhos de livros? Quem imaginaria que eu francesava e
shakespearizava?), ou seja, julguei-o pelas aparências. [...]”
A história é um tanto fantasmagórica. A linha que
separa a ficção da realidade, a fantasia do concreto, é bastante tênue. Em
alguns momentos de suspense, durante a leitura, o menor ruído causa no leitor
um baita susto (baseado em fatos reais). É possível sentir o medo, a tensão, a
expectativa e todos os demais sentimentos de Florence durante o livro. A
narrativa é repleta de mistérios e perguntas não respondidas que ainda pairam
por nossas cabeças, mas que tornam o enredo e o decorrer dos acontecimentos
mais emocionantes.
Quanto ao final, uma palavrinha: MEUDEUSDOCÉU!
Nós fomos realmente surpreendidas - não
necessariamente de um jeito bom. Na verdade, houve uma fusão de opiniões, um
contraste de ideias. Ao mesmo tempo que genial, o desfecho foi, digamos,
atordoante. Se havia ainda algum resquício de inocência nesta garota, tenha
certeza de que foi para o espaço. Nós acabamos entrando na cabeça dela e, de
certa forma, participamos de seu plano para deter a Srta. Taylor.
Agora o nosso Parabéns irá para John Harding, que
articulou majestosamente as palavras e nos aproximou ao máximo da excêntrica
história de Florence. No geral, é um livro de fácil compreensão, em se tratando
de linguagem.
As nossas considerações finais são:
* Não é um livro consensualmente adorado e conhecido,
afinal, foge dos padrões da literatura de massa.
* Ao final da leitura, demora um pouco para digerirmos
a história.
* É, sem dúvida, um livro inteligente e, de certa
forma, perspicaz. Retrata de forma explícita a imaginação fértil de quem
“devora” livros.
* Nós duas gostamos muito e recomendamos para aqueles
que procuram um suspense repleto de angustiantes momentos datado no séc. XIX.











2 comentários:
Olá Luane e Isabelle,
Eu realmente tive diferentes opiniões ao final do livro. Primeiro veio a raiva por não haver respostas concretas, o que significava que toda a teoria que criei na minha cabeça no decorrer da história não iria ser confirmada! Depois vem a dúvida se tudo aquilo aconteceu mesmo, ou se não foi tudo fruto da imaginação infantil de Florence... Mas, depois que a raiva passou, percebi toda a genialidade do autor, e como ele conduziu o suspense com maestria!
Ótima resenha!
Fiz resenha de A Menina que Não Sabia Ler, lá no blog tbm! Se quiserem visitar ficaria muito feliz!
Bjinhos,
www.estavarelendo.blogspot.com.br
Oi, Quel! A gente agradece por você ter lido. Realmente o final nos deixa confusas, porém o segundo livro (principalmente o desfecho) corrobora a esperteza e a sabedoria de Florence. Beijo!
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